Existem condições físicas em mundos distantes que não podem ser reproduzidas em laboratórios. Então, para analisar os processos térmicos e elétricos que ocorrem na água em condições extremas de temperatura e pressão – como é o caso de Netuno e Urano -, cientistas da Scuola Internazionale Superiore di Studi Avanzati (SISSA) e da Universidade da Califórnia desenvolveram um método para modelar o que há no interior destes gigantes congelados de forma mais fácil e com menos custos. Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista Nature Communications.
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Este modelo analisa a condutividade elétrica e térmica da água nas condições que ocorrem nestes planetas e, assim, os pesquisadores puderam entender o que aconteceu nos gigantes em escalas de bilhões de anos. Eles suspeitam que ambos são compostos principalmente por água, e sugerem também que o núcleo de Urano pode ser congelado. “O hidrogênio e o oxigênio, junto do hélio, são os elementos mais comuns no universo. É fácil deduzir que a água é um dos componentes principais de muitos corpos celestiais”, disseram em um comunicado. Isso explicaria o motivo de Urano não ser muito luminoso: com o núcleo congelado, pouquíssimo calor consegue se deslocar até a superfície do planeta.
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A equipe analisou também a água que poderia existir em diferentes fases no interior de Netuno e Urano: a água poderia estar congelada, líquida e super iônica – e, neste último estado, ela encontra-se em um ponto curioso entre os estados líquido e sólido. E vale lembrar que a água em outros planetas é diferente daquela que temos na Terra: “essa água é diferente, mais densa, com moléculas dissociadas em íons positivos e negativos, além de carregar uma carga elétrica”, comentam os pesquisadores.
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A água super iônica em Urano e Netuno é mais condutora do que a água da Terra, e eles acreditam que essa água poderia compor uma grande porção de camadas internas densas dos gigantes gasosos. Esses resultados são importantes para a compreensão do que forma estes dois planetas e como eles se tornaram o que são hoje: “a condução elétrica e térmica conta a história de um planeta, como e quando ele se formou, como se esfriou. É crucial analisá-la com as ferramentas apropriadas, como essa que desenvolvemos”.
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Fonte: Canaltech