Pesquisadores estudaram o efeito de nanoplásticos no desenvolvimento de embriões de galinhas e notaram uma série de malformações geradas pelos objetos, que recebem esse nome quando têm menos de 25 nanômetros. Embora ainda não saibamos, diretamente, como essas pequenas partículas afetam a saúde humana, pesquisas como essa sugerem preocupação acerca de sua presença no corpo.
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O estudo foi realizado pela Universidade Leiden, dos Países Baixos, cujos cientistas introduziram nanoplásticos de poliestireno (cuja versão estendida é chamada de isopor) no desenvolvimento dos embriões das aves. A concentração inserida foi alta, em níveis normalmente não encontrados no organismo dos animais, mas o caso extremo já consegue nos dar uma ideia do que pode acontecer, mesmo que com severidade reduzida, na fase de feto.

Efeitos do nanoplástico
Foram notadas malformações no sistema nervoso, coração, olhos e algumas partes da face do embrião de galinha após a introdução das nanopartículas de poliestireno. Aparentemente, o problema está na forma como afetam as cristas neurais — estas células-tronco são formadas no início do desenvolvimento de todos os vertebrados, começando no que irá se tornar a medula espinhal e migrando para outras partes do sistema nervoso e para diversos órgãos vitais, como as artérias, coração e face.
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As análises laboratoriais mostraram que os nanoplásticos miram “indiretamente” nas cristas neurais, causando sua morte. Essas células são grudentas, então as nanopartículas conseguem se aderir a elas e prejudicar órgãos que dependem delas para seu desenvolvimento. Uma metáfora utilizada pelo autor do estudo, Michael Richardson, é a da farinha: a substância é utilizada, quando fazemos pão, para reduzir o aspecto grudento da massa.
No caso do estudo, é como se as nanopartículas fossem a farinha, mas que, ao invés de apenas reduzir a propriedade, também arruína a massa, que seria as cristas neurais. Já temos evidências de que partículas minúsculas de plástico estão presentes em quase todos os cantos do planeta, especialmente em ambientes naturais como o gelo da Antártica e os órgãos vitais de humanos, até mesmo em recém-nascidos.

Os nanoplásticos, ou seja, plásticos com 25 nanômetros ou menos, são tão pequenos que conseguem penetrar qualquer lugar do nosso corpo, inclusive cruzando a barreira hematoencefálica — ou seja, entre sangue e cérebro, que protege o órgão de substâncias neurotóxicas em potencial presentes no sangue.
Nos animais, estamos começando a descobrir os efeitos tóxicos dos nanoplásticos, um conhecimento que o novo estudo ajuda a construir. Neste mês, cientistas definiram uma nova condição causada pela ingestão de plástico ao nível de ameaçar a capacidade de absorver os nutrientes necessários para o crescimento — plasticose.
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Fonte: Canaltech