A pandemia do novo coronavírus está obrigando as pessoas a ficarem em casa, tamanha a gravidade que a contaminação vem ganhando no mundo todo. A recomendação é que as pessoas saiam de seus lares apenas para fazer o necessário, como compras de farmácia e supermercado, ou para trabalhar, no caso de quem não tem outra opção.
O cenário ideal para evitar a transmissão do novo coronavírus seria isolar todos aqueles que já foram infectados dos que ainda não foram, mas obviamente isso não pode acontecer, pois muitas pessoas vivem juntas e não há como isolar cada integrante de uma casa no mesmo lugar. Além disso, o ser humano precisa de serviços essenciais, como alimentação, medicamentos, atendimento em hospitais, polícia, entre várias outras coisas, sem contar que seria desumano.
No entanto, qualquer esforço de isolamento já ajuda muito no combate à COVID-19, pois quanto menos as pessoas se encontrarem, menores são as chances do novo coronavírus se espalhar. Agora, visualizando o pior cenário de todos, que envolve nenhuma tentativa de evitar o contato físico, a situação seria desastrosa. Cientistas explicam que se todos entrarem em contato com uma porcentagem insignificante da população infectada, praticamente todos estariam expostos ao vírus em pouco tempo.
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Está muito difícil para todo mundo respeitar essa regra, mas ela precisa ser feita. Algumas pessoas, no entanto, acham que burlar uma ou duas vezes, encontrando apenas um amigo ou familiar, não pode ser de todo mal, mas este é um grande problema. Para que isso seja explicado da melhor forma, uma equipe de cientistas da Universidade de Washington, que faz parte de uma rede de epidemiologistas de todo o mundo, divulgou exemplos fáceis de entender.
A explicação foi feita com o uso de um cenário realístico. Os pesquisadores simularam o que acontece quando encontros são feitos apenas em casos de necessidade, o que é inevitável em algum momento, sendo a melhor opção atualmente. Mesmo assim, o vírus tem espaço para se mover, como mostra a imagem abaixo, com um integrante de cada grupo de encontrando e espalhando o vírus, como mostra a imagem abaixo:
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Mesmo que seja feito o contato apenas com funcionários de serviços essenciais, novas redes de vias de transmissão da doença vão surgindo, afetando até cerca de 26,5% das residências. Com isso, os pesquisadores alertam que novas infecções e mortes serão inevitáveis com essas conexões. Agora, imagine que além do contato essencial, pelo menos uma pessoa de uma casa se encontre com outro de outra casa, o resultado seria a imagem seguinte:
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Com base em informações dos domicílios norte-americanos, que contam com uma média de 2,6 pessoas, os cientistas concluíram que se cada pessoa de uma casa tiver contato com outra pessoa de outra casa, três situações vão acontecer:
- A primeira seria um aumento das redes de conexão em até 240%, somente no cenário de contato essencial;
- A outra situação é que, com isso, mais de 90% dos lares passariam a estar conectados, sendo um grande aumento em relação à porcentagem de conexão entre casas apenas como consequência dos contatos essenciais, que chegaria a 26,5%;
- Por fim, cada residência estaria conectada a outras 36.8, com apenas três graus de separação. No cenário do contato essencial, esse número chegaria a apenas 4,2.
Mesmo que apenas uma pessoa de uma casa visitasse alguém em outra casa, a rede de conexões cresceria em até 168%, com 71% dos lares conectados, estes ligados a outras 12.1 casas e dentro de três graus de separação.
“Resumindo, nós vemos muitas, muitas oportunidades de adquirir o vírus de pessoas que estão perto ou longe de sua rede de contatos. E há igualmente mais oportunidades de você transmitir o vírus para outras pessoas tanto perto quanto longes de você. Tudo isso para que as pessoas possam sair com um amigo”, concluem os pesquisadores.
E aí, você está respeitando a quarentena?
Fonte: Canaltech