Em tempos de obsolescência programada, a startup norte-americana Baliston desenvolveu um novo tênis que avisa o usuário quando é hora de levá-lo para reciclagem. Nesse momento, a empresa entrega um novo modelo do tênis, enquanto garante que os componentes do produto antigo serão 100% reciclados. Em paralelo, envia relatórios periódicos sobre os hábitos de quem usa a peça, oferecendo até sugestões para melhorar a postura, com a ajuda de um algoritmo próprio e da Inteligência Artificial (IA).
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A companhia trabalha com a ideia de clube de assinaturas, invés de vender calçados. Para participar do “esquema”, cada usuário precisa desembolsar US$ 249 (cerca de 1,2 mil reais) por ano. Embora “salgado”, o valor é relativamente próximo de sneakers assinados e vendidos no mercado por grandes marcas do universo esportivo, sem a tecnologia inovadora.
Entenda como o tênis coleta dados do usuário
Cada modelo de tênis contém um sensor biométrico, capaz de registrar dados sobre como o usuário se move. Através do aplicativo Baliston Connect e da conexão via bluetooth, os dados brutos são transformados em um conjunto de análises e recomendações personalizadas.
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Segundo a empresa, a pessoa receberá orientações, por exemplo, de exercícios que podem melhorar a sua postura e, eventualmente, reduzir dores nas costas. Também será pelo app que o usuário receberá o aviso de que o seu tênis chegou ao fim da vida útil.
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Em outra frente, as primeiras análises serão usadas para o desenvolvimento de uma palminha ajustada ao pé do usuário, que será enviada pelo correio. A ideia é que o tênis, literalmente, se adapte a quem use — algo realmente inovador, se funcionar na prática.
Como é o processo de reciclagem do tênis?
Designer francês mundialmente conhecido, Philippe Starck é quem assina a criação do modelo de tênis que avisa quando chegou o seu momento de ser reciclado. Além de inúmeros projetos arquitetônicos, incluindo alguns no Brasil, Starck já desenhou um iate para a família de Steve Jobs e colaborou com a Xiaomi no desenvolvimento de um smartphone, passando até pela assinatura do interior (decoração) de um módulo de habitação da Estação Espacial Internacional (ISS) para a Axiom Space.
Na parceria com a Baliston, sua expertise foi aplicada nas possibilidades do produto ser reciclado. De pronto, foi reduzido o número de materiais usados no modelo para apenas cinco, o que facilita a reciclagem. Isso deve evitar que o item, após o uso, vá para um aterro sanitário, como é padrão para os 25 bilhões de pares de tênis produzidos todos os anos no planeta.
Como a empresa diz que não vende sapatos, e sim um clube de assinaturas, o usuário é, de fato, obrigado a enviar o produto para a reciclagem. Antes disso, o sensor deve ser removido, já que ele será, posteriormente, fixado no modelo mais novo. Após receber o sapato de volta é que a startup enviará um novo produto. Enquanto isso, ela garante que parte dos itens reciclados vai gerar novos sapatos, incluindo a sola feita a partir da cana-de-açúcar. Os outros materiais serão vendidos para outras indústrias, tornando a cadeia de produção circular.
“Este não é um sapato para ser usado por cinco meses ou um ano, é um sapato para toda a vida”, afirma o designer Starck sobre a iniciativa, que espera revolucionar a forma como as pessoas lidam com seus tênis e o vestuário, como um todo.
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Fonte: Canaltech